terça-feira, 30 de novembro de 2010

10 músicas de encorajamento

10 músicas para os dias em que estamos tristinhos, com um sentimentinho de derrota comichando o coração. Nada de tristeza e nunca desistam dos seus sonhos! Don't worry! Be happy!

Hero (Mariah Carey)
There's a hero, if you look inside your heart.
You don't have to be afraid of what you are.
There's an answer, if you reach into your soul,
And the sorrow that you know will melt away.
And then a hero comes along, with the strength to carry on,
And you cast your fears aside, and you know you can survive.
So when you feel like hope is gone,
Look inside you and be strong,
And you'll finally see the truth, that a hero lives in you.
It's a long road, when you face the world alone.
No one reaches out a hand for you to hold.
You can find love, if you search within yourself,
And the emptiness you felt will disappear.
Lord knows, dreams are hard to follow.
But don't let anyone, tear them away- ay ay.
Hold on, there will be tomorrow.
In time, you'll find the way.
That a hero lives in... you
That a hero lives in... you

Tente outra vez (Raul seixas)
Veja!
Não diga que a canção
Está perdida
Tenha em fé em Deus
Tenha fé na vida
Tente outra vez!...
Beba! (Beba!)
Pois a água viva
Ainda tá na fonte
(Tente outra vez!)
Você tem dois pés
Para cruzar a ponte
Nada acabou!
Não! Não! Não!...
Oh! Oh! Oh! Oh!
Tente!
Levante sua mão sedenta
E recomece a andar
Não pense
Que a cabeça agüenta
Se você parar
Não! Não! Não!
Não! Não! Não!...
Há uma voz que canta
Uma voz que dança
Uma voz que gira
(Gira!)
Bailando no ar
Uh! Uh! Uh!...
Queira! (Queira!)
Basta ser sincero
E desejar profundo
Você será capaz
De sacudir o mundo
Vai!
Tente outra vez!
Humrum!...
Tente! (Tente!)
E não diga
Que a vitória está perdida
Se é de batalhas
Que se vive a vida
Han!
Tente outra vez!...

Mais uma vez (Renato Russo)
Mas é claro que o sol
Vai voltar amanhã
Mais uma vez, eu sei...
Escuridão já vi pior
De endoidecer gente sã
Espera que o sol já vem...
Tem gente que está
Do mesmo lado que você
Mas deveria estar do lado de lá
Tem gente que machuca os outros
Tem gente que não sabe amar...
Tem gente enganando a gente
Veja nossa vida como está
Mas eu sei que um dia
A gente aprende
Se você quiser alguém
Em quem confiar
Confie em si mesmo...
Quem acredita
Sempre alcança...
Mas é claro que o sol
Vai voltar amanhã
Mais uma vez, eu sei...
Escuridão já vi pior
De endoidecer gente sã
Espera que o sol já vem...
Nunca deixe que lhe digam:
Que não vale a pena
Acreditar no sonho que se tem
Ou que seus planos
Nunca vão dar certo
Ou que você nunca
Vai ser alguém...
Tem gente que machuca os outros
Tem gente que não sabe amar
Mas eu sei que um dia
A gente aprende
Se você quiser alguém
Em quem confiar
Confie em si mesmo!...
Quem acredita
Sempre alcança...

Eu vou seguir (Marina Elali)
Eu sei!
Que os sonhos são pra sempre
Eu sei!
Aqui no coração
Eu vou!
Ser mais do que eu sou
Pra cumprir
As promessas que eu fiz
Porque eu sei que é assim
Que os meus sonhos
Dependem de mim...
Eu vou tentar
Sempre!
E acreditar que sou capaz
De levantar uma vez mais
Eu vou seguir
Sempre!
Saber que ao menos eu tentei
E vou tentar mais uma vez
Eu vou seguir...
Não sei!
Se os dias são pra sempre
Guardei!
Você no coração
Eu vou!
Correndo atrás
Aprendi!
Que nunca é demais
Vale a pena insistir
Minha guerra
É encontrar minha paz...
Eu vou tentar
Sempre!
E acreditar que sou capaz
De levantar uma vez mais
Eu vou seguir
Sempre!
Saber que ao menos eu tentei
E vou tentar mais uma vez
Eu vou seguir...oh, oh, oh!
Eu vou tentar
Sempre!
E acreditar que sou capaz
De levantar uma vez mais
Eu vou seguir
Sempre!
Acreditar que sou capaz
De levantar uma vez mais
Eu vou seguir
Eu vou, eu vou, eu vou
Sempre!...

Reach (Gloria Estefan)

Some dreams live on in time forever
those dreams, you want with all
your heart
and I'll do whatever it takes
follow through with the promise I made
put it all on the line
what I hoped for at last would be mine
if I could reach, higher
just for one moment touch the sky
from that one moment
in my life
I'm gonna be stronger
know that I've tried my
very best
I'd put my spirit to the test
if I could reach
some days are meant to be
remembered
those days we rise above
the stars
so I'll go the distance
this time
seeing more the higher I climb
that the more I believe
all the more that this
dream will be mine
if I could reach, higher
just for one moment touch
the sky
from that one moment in
my life
I'm gonna be stronger
know that I've tried my
very best
I'd put my spirit to the test
if I could reach

if I could reach, higher
just for one moment touch
the sky
from that one moment in
my life
I'm gonna be stronger
I'm gonna be so much stronger
yes I am
I put my spirit to the test
if I could reach, higher
if I could, if I could
if I could reach
reach, I'd reach, I'd reach
I'd reach, I'd reach so
much higher
be stronger
 
Até o fim (Engenheiros do Hawaii)
Não vim até aqui
Pra desistir agora
Entendo você
Se você quiser ir embora
Não vai ser a primeira vez
Nas últimas 24 horas
Mas eu não vim até aqui
Pra desistir agora
Minhas raízes estão no ar
Minha casa é qualquer lugar
Se depender de mim
Eu vou até o fim
Voando sem instrumentos
Ao sabor do vento
Se depender de mim
Eu vou até o fim
Eu não vim até aqui
Pra desistir agora
Entendo você
Se você quiser
Ir embora
Não vai ser a primeira vez
Em menos de 24 horas
A ilha não se curva
Noite adentro
Vida afora
Toda a vida
O dia inteiro
Não seria exagero
Se depender de mim
Eu vou até o fim
Cada célula
Todo fio de cabelo
Falando assim
Parece exagero
Mas se depender de mim
Eu vou até fim
Não vim até aqui pra desistir agora
Não vim até aqui pra desistir agora

Temporada das flores (Leoni)
Que saudade agora me aguardem,
Chegaram as tardes de sol a pino,
Pelas ruas, flores e amigos,
Me encontram vestindo meu melhor sorriso,
Eu passei um tempo andando no escuro,
Procurando não achar as respostas,
Eu era a causa e a saída de tudo,
E eu cavei como um túnel meu caminho de volta.
Me espera amor que estou chegando,
Depois do inverno a vida em cores,
Me espera amor nossa temporada das flores.
Eu te trago um milhão de presentes,
Que eu achava que já tinha perdido,
Mas estavam na mesma gaveta,
Que o calor das pessoas e o amor pela vida...
Me espera estou chegando com fome,
Preparando o campo e a alma pra as flores,
E quando ouvir alguém falar no meu nome,
Eu te juro que pode acreditar nos rumores.
Me espera amor que estou chegando,
Depois do inverno a vida em cores,
Me espera amor nossa temporada das flores.
Me espera amor que estou chegando,
Depois do inverno é a vida em cores,
Me espera amor nossa temporada das flores.
Me espera amor que estou chegando,
Depois do inverno é a vida em cores,
Espera amor nossa temporada das flores.
Me espera amor que estou chegando,
Depois do inverno é a vida em cores,
Espera amor nossa temporada das flores.

No pares (RBD)
Nadie puede pisotear tu libertad
Grita fuerte por si te quieren callar
Nada puede detenerte si tu tienes fe
No te quedes con tu nombre
Escrito en la pared, en la pared
Si censuran tus ideas ten valor
No te rindas nunca, siempre alza la voz
Lucha fuerte y sin medidas
No dejes de creer
No te quedes con tu nombre
Escrito en la pared
En la pared.
No pares, no pares no,
No pares nunca de soñar
No pares, no pares no,
No pares nunca de soñar
No tengas miedo a volar
Vive tu vida
No construyas muros en tu corazón
Lo que hagas siempre hazlo por amor
Pon las alas contra el viento, no hay nada que perder
No te quedes con tu nombre
Escrito en la pared.
No pares, no pares no,
No pares nunca de soñar
No pares, no pares no,
No pares nunca de soñar
No tengas miedo a volar
Vive tu vida

Não deixe de sonhar (Chimarruts)
Se alguém te encontrar e perguntar por mim,
Pode dizer que eu vim pra falar
O que ninguém mais fala,
E não quer acreditar...
Quando ouvir alguém dizer que já não sonha mais,
É bom saber que é capaz de morrer,
Quem não tem esperança,
Que não faz nada nascer ..
Preste atenção,
Não abra mão dos próprios sonhos...
Não tem perdão,
Não deixe de sonhar,
Não deixe de sorrir,
Pois não vai encontrar
Quem vá sorrir por ti ..
Se alguém te encontrar e perguntar por mim,
Pode dizer que eu vim pra falar
O que ninguém mais fala,
E não quer acreditar...
Quando ouvir alguém dizer que já não sonha mais,
É bom saber na paz que é capaz de morrer,
Quem não tem esperança,
Não quer fazer nascer ..
Preste atenção,
Não abra mão dos próprios sonhos...
Não tem perdão, não...
Não deixe de sonhar,
Não deixe de sorrir,
Pois não vai encontrar
Quem vá sorrir por ti ..

 Sou um milagre (Pe. Marcelo Rossi)
Nunca houve noite que pudesse impedir
O nascer do sol e a esperança
E não há problema que possa impedir
As mãos de Jesus prá me ajudar
Haverá um milagre dentro de mim
Vem descendo um rio prá me dar a vida
Este rio que emana lá da cruz, do lado de Jesus
Aquilo que parecia impossível
Aquilo que parecia não ter saída
Aquilo que parecia ser minha morte
Mas Jesus mudou minha sorte
Sou um milagre e estou aqui
Usa-me, sou o teu milagre
Usa-me, eu quero te servir
Usa-me, sou a tua imagem
Usa-me, ó filho de Davi
Aquilo que parecia impossível
Aquilo que parecia não ter saída
Aquilo que parecia ser minha morte
Mas Jesus mudou minha sorte
Sou um milagre, e estou aqui

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Vestibular (parte 1)

À menos de uma semana do vestibular  não poderia pensar em outra coisa, a não ser nessa bendita prova. Analisando todo o ano de estudos, vejo que realmente não foi fácil. Foi o segundo ano mais difícil de minha vida, só perdendo para o ano que meus pais se separaram. Lembro que no início havia muitos planos e tudo parecia que ia dar certo... mas ocorreu uma série de erros sucessivos e desastrosos que prefiro não citá-los aqui. Sei que isso não justificará, caso o resultado seja negativo. Mas serve para que vejam não foi nem um pouco fácil chegar até aqui, então, por favor, não me juguem.
Independentemente dos resultado já me considero uma vitoriosa porque não é pra qualquer um, fazer o que fiz e tudo praticamente sozinha. Tive ajuda de algumas pessoas e foi nesse ano que descobri quem são meus amigos de verdade, com quem posso realmente contar. Jamais esquecerei do que fizeram por mim e por mais que vocês achem pouco, para mim fez uma enorme diferença. Obrigada!
A batalha foi intensa, mas essa foi só a primeira parte, porque ela começa, de verdade, neste domingo.
Se não for dessa fez, sei que não faltarão oportunidades. Meus sonhos só dependem de mim e como eles são grandes demais não será qualquer derrotinha que irá matá-los.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Raj, o cão-filho

Meu cachorro não é normal! Cheguei a essa conclusão já na primeira semana em que o ganhei. Acho que o bichinho bateu muito a cabeça quando era pequeno, aí não cresceu normal. xD Brincadeiras à parte, resolvi contar como é ter um cachorro hiperativo e completamente pirado.

Ganhei o Raj de uma senhora que mora na minha rua depois de alguns apelos. Minha mãe não gostou nada da idéia, mas, aos poucos, ele foi ganhando o coração dela e hoje posso dizer com certeza que ele gosta mais dela do que de mim, o chamego entre eles é grande e com o tempo ela que passou a cuidar dele de verdade. Quando chegou aqui era uma bolinha de pelo preta e branca, minúscula, que eu colocava no colo e colocava pra ninar...
Mas, o tempo foi passando e meu lindinho foi se mostrando hiperativo... Temos que passear com ele duas vezes ao dias e ainda tenho que correr com ele pela casa inteira por pelo menos uma hora por dia (é ele que me mantém em forma xD ) para que gaste toda sua energia e vá dormir de onze horas da noite e acordar de 6 da manhã. Bom, pelo menos de manhã e à tarde ele dorme bastante, o que é um alivio para todos nós. huahuahau
Os prejuízos que ele já me deu são inúmeros, um dia o flagrei com uma nota de 50,00 R$ na boca, quase caí pra trás quando vi, kkkkk... Quando ele não tem ossinho para roer, roe qualquer coisa que esteja perto, já roeu o sofá, o centro, a mesa, as cadeiras, a cama de minha mãe e isso quando não resolve roer nossas pernas, aí sai de baixo!!! uhauhauhaha Quando está com raiva, derruba sua vasílea d'água e sai correndo molhando a casa inteira. Um belo dia ele resolveu pegar meu celular e quebrar a tela, essa foi a última dele. E ele é vingativo!!! Não faça nada que o desagrade, pois ele vai arquitetar algo bem interessante pra você, MUAHAUHAUHAHA...
Já comeu um daqueles paninhos de limpeza, sacos plásticos, papéis, cabelo, e vomitou uma lã de aço recentemente. Se você perdeu alguma coisa ele acha!
Quando chega visita aqui em casa ele chora de alegria, as vezes a alegria é tanta que faz xixi em cima das pessoas. Fica pulando em cima delas por muito tempo até se cansar, ou alguém brigar com ele, ou se acostumar.
É um grande comilão, mas não tinha como ser diferente numa família de comilões, é travesso, desobediente, um peralta! Mas é meu filho! E ninguém mexa com ele não porque vai se ver comigo!
Mas, não me importa todos os gastos que já tive , o que me importa é o que ele significa pra mim. É a alegria da casa, é meu companheirinho de todas as horas, é quem me alegra nos momentos tristes, é quem mais se alegra quando chego e quem mais se entristece quando saio. E é quem me faz enxergar que a vida é muito mais valisosa que qualquer coisa material. É a mais pura expressão do amor sincero, meu bebê, meu filhinho, por mais que não cuide dele como deveria e não possa dar a atenção que merecida, mas eu o amo, o amo muito. Aliás, tem como não amar essa carinha redonda e peluda??? *.*


quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Profissão

Bom... como continuação do post Cirurgia, a descoberta do dom, resolvi escrever sobre como, quando e onde, eu resolvi definitivamente ser médica. É uma longa e complicada história. Não surgiu assim de repente, como em um piscar de olhos. Foi mais como uma longa edificação, em que cada tijolinho ia sendo colocado aos poucos, dia-a-dia, até que a construção se concretizou e firmou-se. Houve praticipação de importantes pessoas, e fatos marcantes, mas houve também, fatos aparentemente insignificantes que só fizeram sentido algum tempo depois.
Após a cirurgia, a descoberta que queria ser médica não foi imediata. Ainda demorei bom tempo até descobrir e aceitar aquilo. Há um bom tempo atrás (creio que estava na sexta série), achei um pafleto fazendo propaganda de uma escola especializada em fisioterapia em Sergipe. Naquela época ainda não tinha decidido que profissão seguir, mas achei aquela uma área muito interessante. Anos depois, recebi um daqueles livrinhos de formatura. Era da minha prima, ela tinha se formado em fisioterapia, achei tão fascinante aquele livrinho, pois trazia todas as informações sobre o curso, e o legal era que a escola que ela se formou era a mesma do panfleto de anos atrás... E desde aquele dia resolvi que queria ser fisioterapeuta.
Mas, o tempo se passou e "fisio" não fazia mais o menor sentido para mim... Eu sentia que queria algo mais ... Já estava no ensino médio àquela altura e em um belo dia, quando estava no ônibus com uma amiga minha resolvi que deveria fazer dermatologia, pois era muito mais parecida comigo. Tudo ia bem, até que descobri que não existia graduação para "dermato", mas apenas especialização. Para seguir carreira em dermatologia era preciso, primeiro, cursar medicina.
À princípio fiquei aterrorizada. Jamais havia pensado em ser médica de verdade e, além de tudo, o vestibular para medicina é o mais concorrido desde a origem do universo e, cá entre nós, eu não sou lá uma excelente aluna. Mas a vontade de ser dermatologista era tão grande que resolvi encarar o bicho papão de frente.
Pouco tempo depois, descobri que uma das pessoas que mais amava estava com um câncer de grau 3, numa escala de 1 a 5. Foram tempos difíceis, mas ela conseguiu se recuperar e durante esse período procurei acompanhá-la o quanto pude. Inclusive, após sua cirurgia de removeção da mama, eu era a encarregada de limpar o dreno todos os dias, tarefa que prefiro não descrevê-la para não dar náuseas à quem lê este texto. Infelizmente, após 3 anos se tratando, o câncer resolveu voltar. E desta vez, veio da forma mais cruel e devastadora possível. Era ano de vestibular e tive que parar um pouco meus estudos para cuidar dela. E me doía muito vê-la sofrendo daquele jeito. Me dava vontade de sair correndo de lá, mas tive de ficar, apoiá-la, controlar a medicação, alimentá-la, entre outras coisas... De repente, em uma tarde de uma sexta-feira, tive de ir para o hospital com ela, sem saber que esta seria a última vez... Não dormi um só instante nessa noite e como ela foi longa... Deu pra ter idéia de como funcionava o hospital e vi coisas deversas, desde simples procedimentos médicos até mortes. Quando o dia amanheceu, recebemos alta, e quando chegamos em casa, ela faleceu.
Lembro do que ela me disse quando a contei sobre minha decisão de ser médica:  que Deus te abençoe e que você seja uma boa médica e que não desista desse sonho por mais difícil que seja de realizá-lo.
Desde esse dia cresceu em mim a idéia de que estava no caminho certo. Deus tinha me feito perceber quais eram os seus planos para mim e vou lutar para conseguir isso e Ele estára ao meu lado, tenho fé! Quanto à idéia de ser dermatologista, o tempo é quem vai dizer, ainda há muitas coisas que meu coração não conhece. Só rezo para que seja feita a tua vontade, Pai, não a minha.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Enem

Jesus Criiistooo, o que foi aquilo???

Embora a prova desse ano estivesse mais fácil, digo, mais possível que a do ano passado, continua sendo impossível resolvê-la completamente. Nos dois dias de prova terminei faltando meia hora pro fim e já imersa em um estado de inconciência mental. No segundo dia já tava me esquecendo quanto era 8x7, 6x7, 6x8, 8x8... E olhe que tabuada é uma coisa de matemática que eu posso me gabar de saber
A prova, em termos de nível, até que estava boa, questões fáceis, questões médias e questões difíceis. Mas de que adianta, se é impossível resolver 90 questões e fazer uma redação em 5:30h? Enquanto isso, um concurso tem 30 questões a menos e a mesma quantidade de horas. Não sei o que há por trás disso, mas será que as autoridades responsáveis pela elaboração do exame ainda não se deram conta ou se fazem de desentendidos? Sempre ouço muitas críticas feitas ao exame, mas nunca sai na mídia algo relativo ao exagero de questões.
Isso sem falar nos problemas que houve nos gabaritos e nas provas amarelas, que talvez provocarão a anulação desse enem.Sinceramente, Enem para mim ainda não é coisa séria.. E já é o segundo ano que ele apresenta problemas. Ano passado foi ainda pior, pois conseguiram roubar a prova. Aliás, um exame dessas proporções é realmente difícil de que não ocorra falhas, mas erros tão vulgares como os que ocorreram esse ano são inadimissíveis.
Tenho pena de quem têm que usar o enem como porta de entrada para alguma faculdade pública. Estou chateada com o risco de anulação, mas não posso ser egoísta e deixar de pensar nessas pessoas que foram prejudicadas e que precisam dele para entrar na facul. Espero realmente que a UFRN não utilize o enem próximo ano, pois, pra mim, ele é uma prova de resistência, e não uma maneira eficaz de medir nossos conhecimentos.
Só queria saber quanto tempo eles levarão para acertar e quando irão cair na real de que têm que mudar o sistema. Enquanto isso, ficamos nós, aqui, aguardando o belo dia em que a educação nesse país vai virar coisa séria.

sábado, 6 de novembro de 2010

Os desafios de ser uma cacheada

Não é fácil! Mas não é fácil mesmo, ser uma  power curly girl!
Quem nasceu com cabelinhos cacheadinhos sabe do que eu estou falando. Resolvi relatar toda a minha experiência com cabelos cacheados, os quais possuo desde que nasci.
Na minha infância minha mãe era quem cuidava dos meus cabelos (infelizmente). Primeiro que os produtos que ela comprava eram terríveis para os meus cabelos, isso porque há quase vinte anos atrás a escassez de produtos para cabelos cacheados era maior que a seca do nordeste. Até hoje é difícil encontar bons produtos, então imagine naquele tempo e em uma cidade de interior. Além do mais, minha mãe não tinha a paciência devida que esse cabelo precisa e ainda inventava de cortar ele por conta própria. Concluindo, meu cabelo era terrível, sem forma e eu só usava ele preso ou com tranças e marias-chiquinhas.
O problema era tão grande que um dia resolvemos alisá-lo. O alisante já estava lá em casa aguardando para ser usado. Mas, por obra do Nosso Senhor Jesus Cristo eu consegui me livrar dessa moléstia. Em uma das bebedeiras do meu pai com os amigos dele pegaram o alisante e usaram em um dos amigos dele. Lembro que no dia fiquei com muita raiva, mas até hoje agradeço a Deus por ter dado tudo errado (que no final foi tudo certo, neh!)
Ainda na minha infância resolvi cuidar sozinha do meu cabelo. E aí foi que começou uma busca incessante pelo produto perfeito.Já experimentei uma pouco de cada, pelo menos as marcas mais populares. O melhor que encontrei foi um creme na AVON que ela me fez o favor de parar de fabricar. Era a Loção Finalizadora Efeito Cacheado Advanced Techniques. Ela era maravilhosa. Tinha tudo o que nós, cacheadas, queremos e precisamos, isto é, definição e controle por 24 horas. Os cachos ficavam ativados e delineados, sem volume exagerado e controladinhos. Adorava andar no lado da janela do ônibus e sentir o vento nos cabelos, e os cachos não se desmanchavam por isso.
Com o tempo fui me informando e aprendendo técnicas de como cuidar do meu tipo capilar. Aprendi, por exemplo, a não pentear com o pente e sim com os dedos, aprendi técnicas de como lavar o cabelo, aprendi um pouco sobre fórmulas de shampoos, técnicas de como secar o cabelo, e principalmente aprendi a cortar meu cabelo sozinha.
Era decepicionante. Toda vez que ia ao salão as cabeleireiras me estimulavam a alisar ou relxar meu cabelo. Tenho certeza que você, cacheada que está lendo esse post agora, também já passou por isso. Ainda mais nos ultimos anos em que chapinhas e escovas de todos os tipos viraram uma epidemia nos salões. A maioria dos cabeleireiros são completamente despreparados para lidar com o nosso tipo de cabelo. Por isso que tive que aprender a me virar sozinha em tudo. E aprender a cortar meu cabelo foi a libertação final, pois já sabia fazer tudo sozinha.
Ao longo da minha vida recebi muitos elogios, os quais compensavam tantas horas de cuidado e o dinheiro gasto, digo, investido em meu cabelo. Há muitas vantagens em ser uma curly girl. Os cachos, definitivamente, chamam mais atenção por onde passam. Eles têm graça, movimento, são divertidos, têm volume. Enfim, deixam qualquer garota mais alegre, com um ar mais jovial e divertido.
Mas ao longo da minha vida também ouvi muitas críticas... Muitos comentários maldosos... que ofenderam... e até hoje escuto coisas desse tipo. E o que mais me deixa triste é que o cabelo cacheado já ficou estigmatizado como cabelo de bucha, cabelo ruim, cabelo duro e pichaim. Por isso que várias garotas pensam hoje em alisar suas madeixas.
Portanto, se você decidiu assumir seus cachos, seja forte! E seja firme! Não mude só por causa dos comentários equivocados que as pessoas fazem, pois a maioria delas não sabe o que é ter um cabelo caheado.
Por fim, deixo algumas dicas aqui: Nunca lave seus cabelos todos os dias. Dê um intervalo de pelo menos dois dias sem lavá-los. E lavá-lo completamente só uma vez na semana. Durante a semana você só vai lavar a raíz que é, por natureza, mais oleosa, vai enxaguar e deixar só o resto do shampoo escorrer pelo comprimento. E o mais importante: lave com shampoo sem sal (aconselho o Seda SOS reconstrução estrututal, é barato e é ótimo, por mais dificil que seja de acreditar nisso). Eu, particulamente, não gosto muito de usar condicionador... Não consigo encontrar um que não resseque meu cabelo com o uso prolongado. Mas se você usa, dê preferência a um sem silicones, e se os tiver que sejam insolúveis. Só um leave-in não irá controlar seus cabelos. Eu costumo associá-lo com um spray que pode ser o pra fixação ou pra hidratação e uso pomada modeladora assim que saio do banho, desembaraçando os cachos. Nunca enxugue seu cabelo com a toalha de algodão. Prefira a de microfibra ou a velha camiseta de algodão, isso irá diminuir o frizz. Hidrate semanalmente e se puder, de 15 em 15 dias no salão. E apare sempre de três em três meses, não há nada melhor para fazer os cabelos crescerem mais rápido e saudáveis! Seguindo esses passinhos você sentirá a grande diferença nos seus cabelos.

Filosofias de vida...

Uma listinha de algumas filosofias de vida que tenho posto em prática e que têm me tornado uma pessoa melhor e mais forte.
Nada de tristeza!!! Quando tô começando a ficar triste paro para pensar se realmente há motivos para isso. E sempre concluo que não. Por Deus! Lá fora o sol brilha, o vento sopra levemente, os pássaros cantam, as crianças brincam e sorriem... Pra que tristeza???
Nunca se abata diante de seus problemas, você é muito maior que eles e Deus está sempre com você, nunca se esqueça disso! Procure não se preocupar demais, porque cada coisinha vai ficar no seu devido lugar.
Aprenda a ter paciência, a saber esperar. Não se estresse porque a fila do banco está longa ou porque o ônibus esta demorando. Destribua sorrisos  gratuitamente =)
Veja a graça de Deus em tudo!
Ame as pessoas estão próximas de você todos os dias e sempre se despeça delas com palavras doces. Só nos damos conta do quanto as amamos quando as perdemos (experiência própia).
Faça uma boa ação hoje. Pare pelo menos uma vez ao dia de pensar em você e passe a pensar no próximo. E sem querer recompensa. Você se sentirá muito bem assim.
Desapegue-se de bens materias. Não fique triste porque perdeu algo, ou porque te roubaram. E nunca se esqueça de que pessoas são sempre mais valiosas e importantes que coisas.
Nunca pague o mal com o mal. Ao contrário, procure fazer o bem a quem te maltrata e não te quer bem. E sempre que essa pessoa precisar ajude-a. Isso vai fazer uma grande diferença em sua vida (experiência própria).
Nunca julgue um livro pela capa. Isso vale para pessoas (principalmente).
Experimente sentir o vento nos seus cabelos, é uma sensação única!
Não ligue para o que as pessoas que não gostam de você falam pra ti. Você deve se importar apenas com o que as pessoas que gostam de você te falam, essas sim, querem te fazer crescer.
Lute pelos seus sonhos, se você estiver no caminho certo eles se concretizarão
Peça para que Deus lhe revele os planos que ele têm pra você e reze para que sempre seja feita a vontade dele.
Enfim, Be Happy e leve a vida simplesmente!

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Recomeçar

Recomeçar é um poema de Drummond (meu poeta preferido) que me ajuda a seguir em frente em dias difíceis. Não me canso de ler esse poema, creio que o lerei o resto da minha vida, sempre que precisar, pois ele me faz crer que dias melhores virão.

RECOMEÇAR
Não importa onde você parou…
em que momento da vida você cansou…
o que importa é que sempre é possível e
necessário “Recomeçar”.
Recomeçar é dar uma nova chance a si mesmo…
é renovar as esperanças na vida e o mais importante…
acreditar em você de novo.
Sofreu muito nesse período?
foi aprendizado…
Chorou muito?
foi limpeza da alma…
Ficou com raiva das pessoas?
foi para perdoá-las um dia…
Sentiu-se só por diversas vezes?
é porque fechaste a porta até para os anjos…
Acreditou que tudo estava perdido?
era o início da tua melhora…
Pois é…agora é hora de reiniciar…de pensar na luz…
de encontrar prazer nas coisas simples de novo.
Que tal
Um corte de cabelo arrojado…diferente?
Um novo curso…ou aquele velho desejo de aprender a
pintar…desenhar…dominar o computador…
ou qualquer outra coisa…
Olha quanto desafio…quanta coisa nova nesse mundão de meu Deus te
esperando.
Tá se sentindo sozinho?
besteira…tem tanta gente que você afastou com o
seu “período de isolamento”…
tem tanta gente esperando apenas um sorriso teu
para “chegar” perto de você.
Quando nos trancamos na tristeza…
nem nós mesmos nos suportamos…
ficamos horríveis…
o mal humor vai comendo nosso fígado…
até a boca fica amarga.
Recomeçar…hoje é um bom dia para começar novos
desafios.
Onde você quer chegar? ir alto…sonhe alto… queira o
melhor do melhor… queira coisas boas para a vida… pensando assim
trazemos prá nós aquilo que desejamos… se pensamos pequeno…
coisas pequenas teremos…
já se desejarmos fortemente o melhor e principalmente
lutarmos pelo melhor…
o melhor vai se instalar na nossa vida.
E é hoje o dia da faxina mental…
joga fora tudo que te prende ao passado… ao mundinho
de coisas tristes…
fotos…peças de roupa, papel de bala…ingressos de
cinema, bilhetes de viagens… e toda aquela tranqueira que guardamos
quando nos julgamos apaixonados… jogue tudo fora… mas principalmente… esvazie seu coração… fique pronto para a vida… para um novo amor… Lembre-se somos apaixonáveis… somos sempre capazes de amar muitas e muitas vezes… afinal de contas… Nós somos o “Amor”…
” Porque sou do tamanho daquilo que vejo, e não do
tamanho da minha altura.”

Carlos Drummond de Andrade.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Cirurgia.

Aos que tem curiosidade de como é ser cirurgiado, eu vou contar a minha emocionate história, sem poupar os mais trágicos e sórdidos detalhes. Estão prontos?
Tudo começou numa semana de carnaval, há uns... 4 anos atrás! Comecei a sentir uma dor na parte inferior direita do abdome. Começou com uma dor leve, que foi aumentando gradualmente com a passar dos dias. Doía quando apertava aquela região e doía quando não apertava. Uma dor singular e familiar. Literalmente. Meu irmão já foi cirurgiado. Apendicite. Até hoje tem uma cicatriz na "parte inferior direita do abdome." Comecei a ficar atemorizada, não queria ter que fazer uma cirurgia e, por isso, fui teimosa e resistente à idéia de ir para o hospital, embora minha mãe insistisse muito para isso.
Além da maldita dor, comecei a passar mal... Até chegar a ponto de vomitar verde. E aí já não podia mais fugir. Minha mãe me pegou pelo braço e me levou até o hospital de Parnamirim. Chegando lá, fui atendida por uma médica que me mandou fazer alguns exames de urgência e que analisou a região "afetada". Depois disso, me mandou para uma enfermaria tomar um pouco de soro e aguardar.
O melhor da enfermaria é que pra lá não levam comida. E para uma pessoa que nem gosta de comer, like me, imagine o que foi sofrido "aguardar" naquele lugar. E o melhor é que eu fiquei logo abaixo de um ar condicionado gigante, e pra quem me conhece hoje, se quiser me ver 4 anos antes é só me imaginar 4 quilos mais magra! Imaginou? É, eu sei que é dificil imaginar isso, mas continuando... Agora imagine o quanto é difícil para uma pessoa desprovida de tecido adiposo isolante térmico suportar o frio. Principalmente quando ela está com febre!
Esperei até a tarde até que a má notícia, enfim, chegou. O cirurgião veio falar comigo e com minha mãe. Fez o velho teste do apêndice lascado. Aquele, de apertar onde dói e soltar de vez. Se doer mais quando ele tirar a mão é porque é apendicite. E doeu mais quando ele soltou.
 Quando minha mãe veio me dar a triste notícia começei a chorar... Não acreditava muito na medicina naqueles tempos. E tinha medo de não sei o quê. É uma sensação estranha... vem aquele nó na garganta e você não consegue mais dizer nada, apenas chorar. Minha mãe me abraçou e disse para eu não me preocupar.
Passados os momentos do primeiro choque, me recompuz. Ao final da tarde uma enfermeira nos acompanhou em uma ambulância até o hospital Walfredo Gurgel, em Natal. Mas não íamos sozinhas... Foi um paciente sofrendo ataques epilépticos em uma maca bem ao nosso lado durante todo o caminho. E acredite, a viajem foi bem mais confortável para a enfermeira e para  o epilético do que para nós. A enfermeira ia com cinto de segurança, o epilético ia deitado na maca, mas eu e minha mãe estávamos sentadas num banquinho minúsculo, sentadas lateralmente e com aquela velocidade básica de ambulância, tentado nos segurar para não cairmos.
Chegando no Walfredo, a enfermeira nos orientou e foi fazer seu plantão. E nós ficamos aguardando um médico que pudesse fazer uma ultrassonografia. A má notícia foi que ele tinha acabado de sair e que só chegaria outro às 8 da noite. Eram mais ou menos 6 da tarde ainda. E comecei desde então a beber água, porque ultrassonografia só se faz com bexiga cheia.
Durante o tempo de espera a gente resolveu dar um rolé pelo hospital... uhauhauha ...e que rolé!Vi todas as moléstias daquele hospital, desde o salão de espera até o necrotério. Sim, porque a sala de ultra era ao lado do necrotério... Então vi defuntos passando de lá pra cá e daqui pra lá o tempo todo. E o mais interessante foi que não me assustei. Estava como dor, febre e a bexiga cheia demais para me preocupar com os mortos...
Enfim o médico chega! \o/ Fiz a ultra, aguardei o resultado e foi confirmado que eu teria mesmo que fazer a cirurgia, e com urgência, se não quisesse morrer.
Ao final do exame fomos falar com a assistente social, pedindo uma ambulância pra nos levar de volta pro hospital de Parnamirim. Não conseguimos. Minha mãe comprou um pão com queijo e uma garrafa d'água de não sei onde e me deu para comer. Afinal, não tinha comido quase nada naquele dia. Só água e soro. Pegamos um táxi que nos deixou lá no outro hospital.
Fomos reconduzidas a mesma enfermaria, deitei na mesma cama e tive de esperar até a manhã seguinte para ser cirurgiada. E essa noite de véspera foi longa... Debaixo do mesmo ar condicionado, sensação térmica de -2° C (o que não é exagero, para quem estava com febre). Fui submetida a uma dieta zero. E quando eu digo zero, é zero mesmo!
Cedinho, de manhã, vieram me pegar. Acho que essa foi a hora mais divertida, quando me colocaram naquela maca de rodinha e sairam me carregando pelo hospital... Adorava quando tinha que fazer curvas...
uahuhauhahahua
Me colocaram numa sala de cirurgia (ai, que emoção) e o anestesista já estava lá. Bom homem aquele... Ficou conversando comigo, perguntando como era meu nome, onde eu estudava, disse que eu precisava me acalmar, pois meus batimentos estavam um pouquinho acima do normal. Só lembro de ter abanado a cabeça em sinal de afirmação e depois disso não me lembro mais de nada. Apaguei! Pra quem tem curiosidade em saber como é uma sala de cirurgia só lembro que tinha uns aparelhos de monitoramento ao meu lado direito, umas bandejas, uma tábua ao embaixo de mim  que depois eu descobri que serviria para prender meus braços. E uma luz! Uma grande luz que mais parecia uma nave espacial, bem acima de mim!!! uhauhahaha Parecia que ela ia me abduzir. kkkk...
Quando abri meus olhos novamente havia uma enfermeira na sala. Eu acordei perguntando de que horas ia começar a cirurgia. Ela disse que eu já havia sido cirurgiada. Depois disso caí no sono de novo. Acordei novamente e fiz a mesma pergunta. Ela deu a mesma resposta e acrescentou: " já, já vão lhe levar para o quarto. Depois disso apaguei de novo.
Um par de enfermeiros, sendo um homem e uma mulher, me levaram até a minha enfermaria. O pós cirurgia foi o momento mais crítico. Uma das horas mais difíceis foi a de passar da maca para a cama. isso é feito da seguinte maneira: os enfermeiros lhe enrolam em um lençol, um pega em uma ponta e outro pega na ponta oposta. Eles contam uma, duas meia e já, lhe suspendem e lhe carregam para a cama que está exatamente ao lado. A distância é muito peguena de uma para outra. mas para quem havia há poucos minutos levado um corte de bisturí e removido o apêndice parecia que tavam lhe levando para a China. E montada num lombo de um jumento.
Minutos depois lembro de ter vomitado verde! Disseram que era normal, mas a dor de comprimir o abdome para expelir o vômito é que não era "normal". Era de outro mundo!!! Me deixaram de novo na dieta zero, ó que beleza!
À noite já estava cansada da dieta zero. Queria comeeeer.. depois de muitos apelos a cozinheira (por sinal uma senhorinha muito simpática que fez todos os meus gostos) me trouxe um copinho de sopa liquidificada. Eu tinha fome, mas não consegui tomar nem metade do copo.
Os dias que se seguiram foram mais traquilos. Para mim. Porque para minha mãe que passou alguns dias e noites naquele hospital sentada em uma cadeira de plástico branca é  que não foi nada fácil.
Ao meu lado estava uma senhorinha que já devia ter mais de 70 anos... Ela tinha feito uma cirurgia de vesicula, mas sua cicatriz vinha desde o umbigo até perto do coração por os outros órgão haviam sido afetados também. Não me lembra quantos pontos ela tinha levado, só que eram muitos. Do outro lado estiveram duas mulheres. As duas tinham feito cirurgia de apendicite e foram para casa antes de mim. Me angustiava ver as pessoas indo para casa e eu ficando lá...
Com o tempo, me acostumei a vida no hospital. Passei uma semana lá. De noite os que podiam andar (como eu) se reuníam na enfermaria ao lado para assistir a novela(rsrsrs). Era a unica TV que tinha por aquele corredor. Pelas manhãs eu ia para a ala das crianças ver desenhos. huahauhah. A única coisa que não gostava muito era da comida... Parecia que eles tinham uma granja e uma platação de acerolas nos fundos do hospital uhauhauhaha Todos os dias tinha suco de acerola e a "mistura" era sempre frango. Mas a dieta era super balenceada e os alimentos eram de qualidade. Só mais um pouquinho de sal e ficava de laber o beiços!!! rsrsrs  E não posso reclamar não, porque todos os dias, depois do almoço, ia uma porçãozinha de doce. E de tarde tinha água de côco. Parabéns ao prefeito Agnelo por isso!!!
Todos, sem exceção, me trataram super bem. Desde o faxineiro até o cirurgião. Agradeço a Deus por ter tido a graça de estar num hospital bom!
Uma semana depois fui para casa, inda tava andando meio torto e sentia um pouco de dor, mas só de estar em casa já me sentia feliz. Aos poucos fui me recuperando e por sorte, naquele ano estava entrando no Cefet. E ele estava de greve até então, portanto, não perdi aulas.
Recebi a visita de amigos e de familiares ainda quando estava internada. Depois disso, a coisa mais emocionante que aconteceram foram a retirada dos pontos, coisa que não doeu. E a retirada do dreno, coisa que foi sinistra. O dreno, por fora, parece um dedinho de luva de látex, mas quando se vai puxando ele vai crescendo, crescendo... e você não entende como pôde caber algo daquele tamanho na sua barriga. A médica vai puxando e dizendo respire... e você tenta respirar. Mas você não consegue. Você só quer que aquilo acabe logo.

A história é bárbara. Mas nada acontece por acaso. Porque foi naquela semana que Deus foi me mostrando os planos que ele tinha preparado para mim. Depois daquele dia, decidi que queria ser médica! Foi aí que começou a descoberta do meu dom.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Hoje não escrevo

Drummond é, sem dúvida, meu poeta preferido. Tanto na prosa quanto na poesia. Aqui está um dos meus preferidos para um dia de falta de assuntos:

Hoje não escrevo

Chega um dia de falta de assunto. Ou, mais propriamente, de falta de apetite para os milhares de assuntos.
     Escrever é triste. Impede a conjugação de tantos outros verbos. Os dedos sobre o teclado, as letras se reunindo com maior ou menor velocidade, mas com igual indiferença pelo que vão dizendo, enquanto lá fora a vida estoura não só em bombas como também em dádivas de toda natureza, inclusive a simples claridade da hora, vedada a você, que está de olho na maquininha. O mundo deixa de ser realidade quente para se reduzir a marginália, purê de palavras, reflexos no espelho (infiel) do dicionário.
     O que você perde em viver, escrevinhando sobre a vida. Não apenas o sol, mas tudo que ele ilumina. Tudo que se faz sem você, porque com você não é possível contar. Você esperando que os outros vivam para depois comentá-los com a maior cara-de-pau (“com isenção de largo espectro”, como diria a bula, se seus escritos fossem produtos medicinais). Selecionando os retalhos de vida dos outros, para objeto de sua divagação descompromissada. Sereno. Superior. Divino. Sim, como se fosse deus, rei proprietário do universo, que escolhe para o seu jantar de notícias um terremoto, uma revolução, um adultério grego - às vezes nem isso, porque no painel imenso você escolhe só um besouro em campanha para verrumar a madeira. Sim, senhor, que importância a sua: sentado aí, camisa aberta, sandálias, ar condicionado, cafezinho, dando sua opinião sobre a angústia, a revolta, o ridículo, a maluquice dos homens. Esquecido de que é um deles.
     Ah, você participa com palavras? Sua escrita - por hipótese - transforma a cara das coisas, há capítulos da História devidos à sua maneira de ajuntar substantivos, adjetivos, verbos? Mas foram os outros, crédulos, sugestionáveis, que fizeram o acontecimento. Isso de escrever O Capital é uma coisa, derrubar as estruturas, na raça, é outra. E nem sequer você escreveu O Capital. Não é todos os dias que se mete uma idéia na cabeça do próximo, por via gramatical. E a regra situa no mesmo saco escrever e abster-se. Vazio, antes e depois da operação.
     Claro, você aprovou as valentes ações dos outros, sem se dar ao incômodo de praticá-las. Desaprovou as ações nefandas, e dispensou-se de corrigir-lhe os efeitos. Assim é fácil manter a consciência limpa. Eu queria ver sua consciência faiscando de limpeza é na ação, que costuma sujar os dedos e mais alguma coisa. Ao passo que, em sua protegida pessoa, eles apenas se tisnam quando é hora de mudar a fita no carretel.
     E então vem o tédio. De Senhor dos Assuntos, passar a espectador enfastiado de espetáculo. Tantos fatos simultâneos e entrechocantes, o absurdo promovido a regra de jogo, excesso de vibração, dificuldade em abranger a cena com o simples par de olhos e uma fatigada atenção. Tudo se repete na linha do imprevisto, pois ao imprevisto sucede outro, num mecanismo de monotonia... explosiva. Na hora ingrata de escrever, como optar entre as variedades de insólito? E que dizer, que não seja invalidado pelo acontecimento de logo mais, ou de agora mesmo? Que sentir ou ruminar, se não nos concedem tempo para isso entre dois acontecimentos que desabam como meteoritos sobre a mesa? Nem sequer você pode lamentar-se pela incomodidade profissional. Não é redator de boletim político, não é comentarista internacional, colunista especializado, não precisa esgotar os temas, ver mais longe do que o comum, manter-se afiado como a boa peixeira pernambucana. Você é o marginal ameno, sem responsabilidade na instrução ou orientação do público, não há razão para aborrecer-se com os fatos e a leve obrigação de confeitá-los ou temperá-los à sua maneira. Que é isso, rapaz. Entretanto, aí está você, casmurro e indisposto para a tarefa de encher o papel de sinaizinhos pretos. Concluiu que não há assunto, quer dizer: que não há para você, porque ao assunto deve corresponder certo número de sinaizinhos, e você não sabe ir além disso, não corta de verdade a barriga da vida, não revolve os intestinos da vida, fica em sua cadeira, assuntando, assuntando...
     Então hoje não tem crônica.

Carlos Drummond de Andrade.